Após o período Neolítico, quando os grupos humanos passaram a praticar a agricultura e a domesticação de animais, surgiram as primeiras comunidades organizadas e, posteriormente, as grandes civilizações da Antiguidade. Egípcios, mesopotâmicos e outros povos desenvolveram culturas complexas, mas todos eram politeístas, acreditando em vários deuses ligados às forças da natureza. Nesse cenário, os hebreus se destacaram de forma singular, pois foram o único povo da Antiguidade a desenvolver a crença em um Deus único, criador do universo e senhor da história. Essa fé monoteísta tornou-se o elemento central da identidade hebraica e influenciou profundamente sua organização social, política e religiosa.
A civilização hebraica desenvolveu-se na Palestina, região localizada entre o deserto da Arábia, a Síria e o Líbano, próxima ao mar Mediterrâneo e cortada pelo rio Jordão. Por sua posição geográfica, essa área tornou-se importante rota comercial do mundo antigo e foi habitada por diversos povos ao longo do tempo. Os hebreus organizaram-se em clãs patriarcais seminômades, dedicados principalmente à criação de gado e deslocando-se em busca de regiões férteis e oásis. Sua história, iniciada aproximadamente por volta de 2000 a.C., é conhecida principalmente por meio dos textos do Antigo Testamento, que descrevem seus costumes, tradições e crenças religiosas.
A primeira fase da história hebraica ficou conhecida como Período Patriarcal. Nessa época, a liderança era exercida pelos patriarcas, chefes familiares que concentravam funções políticas, religiosas, militares e jurídicas. O primeiro patriarca foi Abraão, que, segundo a tradição, saiu da cidade de Ur, na Mesopotâmia, atendendo ao chamado de Deus para se estabelecer na terra de Canaã. Com Abraão inicia-se a aliança entre Deus e os hebreus, marcada pela promessa de uma grande descendência e da posse de uma terra. Após Abraão, a liderança passou para seu filho Isaque e, posteriormente, para Jacó, que teve seu nome mudado para Israel. Seus doze filhos deram origem às doze tribos de Israel, consolidando a formação do povo hebreu.

Os patriarcas eram responsáveis por conduzir seus grupos familiares, decidir conflitos, organizar a economia e também exercer funções religiosas. A sociedade hebraica era essencialmente familiar e pastoral, baseada na criação de rebanhos e na busca por regiões férteis. Cada grupo era formado por parentes, servos e animais, e deslocava-se conforme as necessidades de sobrevivência. A religião ocupava papel central, pois os hebreus acreditavam que Deus guiava diretamente o destino do povo e de seus líderes.
Jacó, também chamado Israel, teve doze filhos que se tornaram os ancestrais das doze tribos de Israel. Essas tribos receberam os nomes de Rúben, Simeão, Levi, Judá, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, José e Benjamim. Cada tribo representava um grande grupo familiar descendente de um dos filhos de Jacó. Com o crescimento populacional, essas tribos passaram a ocupar diferentes regiões e mantiveram entre si laços religiosos e culturais comuns, baseados na crença em um único Deus.
Entre os filhos de Jacó, destacou-se José, que despertou a inveja de seus irmãos por ser o preferido de seu pai. Movidos por esse sentimento, eles o venderam como escravo a mercadores que seguiam para o Egito. Lá, José passou por diversas dificuldades, sendo inicialmente servo na casa de um oficial egípcio e, posteriormente, preso injustamente. Mesmo diante dessas adversidades, José ganhou destaque ao interpretar sonhos de outros prisioneiros e, mais tarde, do próprio faraó. Ele explicou os sonhos que anunciavam sete anos de fartura seguidos por sete anos de fome. Impressionado com sua sabedoria, o faraó nomeou José como administrador do Egito, encarregado de armazenar alimentos durante o período de abundância para enfrentar a escassez futura.
Quando a grande fome atingiu a região de
Canaã, onde vivia a família de Jacó, seus filhos foram ao Egito em busca de
mantimentos. Após uma série de acontecimentos, José revelou sua identidade e
perdoou seus irmãos, convidando toda a família a se estabelecer no Egito. Jacó
e seus descendentes migraram então para a região do delta do rio Nilo, onde
receberam terras para viver e criar seus rebanhos. Esse deslocamento marcou o
início da permanência dos hebreus em território egípcio, onde passaram a viver
como um grupo organizado, mantendo seus costumes, sua estrutura tribal e sua
crença em um único Deus.
Com o passar do tempo, os hebreus cresceram em número e se organizaram em tribos dentro do Egito, preservando sua identidade cultural e religiosa. Entretanto, mudanças políticas ocorreram quando novos governantes assumiram o poder egípcio e passaram a ver os hebreus como uma ameaça, devido ao seu grande crescimento populacional. Temendo uma possível revolta, os egípcios decidiram submeter os hebreus a trabalhos forçados, transformando-os em escravos. Eles foram obrigados a trabalhar em construções, na agricultura e em outras atividades pesadas, vivendo sob forte opressão. Foi nesse contexto de sofrimento e dominação que surgiu Moisés, escolhido para liderar o povo hebreu e conduzi-lo à libertação do domínio egípcio.
Segundo a tradição bíblica, Deus enviou diversas pragas sobre o Egito para convencer o faraó a libertar o povo hebreu. A última dessas pragas ficou conhecida como a morte dos primogênitos. Para serem protegidos, os hebreus receberam a orientação de sacrificar um cordeiro e marcar com seu sangue as portas de suas casas. Naquela noite, o anjo da morte teria passado pelo Egito, poupando as casas marcadas e atingindo apenas os egípcios. Esse episódio deu origem à Páscoa hebraica, celebrada como o momento em que Deus passou sobre as casas dos hebreus, preservando suas famílias e anunciando a libertação. A Páscoa tornou-se um símbolo de proteção divina, renovação e início de uma nova etapa para o povo hebreu.
Após esse acontecimento, o faraó permitiu a saída dos hebreus do Egito. Esse episódio ficou conhecido com o Êxodo. Liderados por Moisés, os hebreus partiram em direção à Terra Prometida. Durante a travessia, segundo a tradição, Deus abriu o mar para garantir a fuga do povo e impedir a perseguição do exército egípcio. Durante a caminhada pelo deserto, Moisés recebeu os Dez Mandamentos, conjunto de leis religiosas e morais que passaram a orientar a vida do povo hebreu e consolidaram definitivamente a crença em um único Deus. Assim, sob a liderança de Moisés, os hebreus fortaleceram sua identidade religiosa e deram início à sua trajetória como um povo unido pela fé monoteísta.